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.AUTO-RETRATO COLETIVO © (1987 / ..) projeto de NARDO GERMANO
AUTO-RETRATO COLETIVO © (1987 / ..) projeto de NARDO GERMANO


http://www.nardogermano.com/autoretratocoletivo/

Identidade Coletiva em ensaios fotográficos, instalações, arte digital e performances nas quais Nardo Germano atua com seus alter-egos masculino e feminino, Agnus Valente e Zilma Barros, junto ao público participante e interator.

Obras da série : “Auto-Objeto”, “Sujeitos”, “Auto-Retrato por Metro Quadrado”, “Cabeça Defronte”, “Auto-Retr_Ato_Coletivo”, “Especulares #7”, “Corpo Coletivo”, “Cabeça Coletiva”, “Interfaces”, “AlterEgo”, “Doe seu Rosto / Give me your Face”, “ANDROMAQUIA On-Line” ...

“Auto-Retrato Coletivo” compõe-se originalmente de um conjunto de auto-retratos sem negativo, obtidos em cabine Fotomática para fotos de documentos. Discutindo a questão da construção da identidade social, expandiu-se para a constituição de auto-retratos híbridos entre o Indivíduo e o Coletivo, finalmente organizando-se artisticamente como repositório crítico de uma identidade coletiva.
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A série “Auto-Retrato Coletivo” instaurou-se a partir da apropriação de fotos Fotomática que compuseram o ensaio “Auto-Objeto” (1987), no qual a noção de identidade coletiva se configura pela quantidade e repetição dos meus auto-retratos em painéis de grandes dimensões.
Subseqüentemente, com a colagem de manchetes, textos e fotos de jornal nos auto-retratos acéfalos do ensaio “Sujeitos” (1987), essa noção se amplia: de um lado, com uma abertura dialógica viabilizada pela apropriação do repertório e do discurso dessa mídia, especificamente jornais populares. De outro, pela inclusão de dois novos integrantes posando na cabine fotográfica para representar alteridades: meu irmão gêmeo Agnus valente como meu alter-ego masculino e a atriz Zilma Barros como meu alter-ego feminino.
Esses dois ensaios iniciais da série “Auto-Retrato Coletivo” embasam-se no ponto de vista do autor sempre presente na articulação da intertextualidade mobilizada pela obra, cuja perspectiva voltada para a noção do coletivo redimensionou esse dialogismo até então alcançado, no sentido de instaurar uma polifonia, aquela “pluralidade de vozes e de consciências independentes e distintas” de que nos fala Bakhtin. A partir daí, a série se reorganiza para uma abertura efetiva à participação e interação, de modo a inserir o espectador na obra. Isso porque considero minha produção artística no contexto ampliado de uma subjetividade formante que, ao mesmo tempo em que nela imprime seu ser social, ideológico, artístico e existencial, também se abre ao dialogismo, numa relação que pressupõe uma polifonia entre esse ser produtor e o ser receptor de sua obra.

O CORPO A CORPO COM O ESPECTADOR

Tendo em vista o livre trânsito de elementos de poéticas abertas em sua criação, de “Auto-Objeto” para “Sujeitos” revela-se uma maiior disponibilidade artística à participação do espectador, que vem a se consagrar nas obras mais recentes: “Auto-Retrato por Metro Quadrado” (Galeria ACBEU-BA, 2003), “Cabeça Defronte” (Argos, JY, 2003), “Auto-Retr_Ato_Coletivo” (SESC-Pompéia, jan/maio.2004), “Auto-Retrato Coletivo: Especulares #7” (CeUMA, SP, 2004). Nessas obras, as estratégias de recepção solicitam a participação efetiva do espectador para a execução da obra.
Nesta etapa, algumas problematizações abordadas na série de ensaios fotográficos aprofundam-se no que tange à digitalização de meus auto-retratos Fotomática (sem negativo), incorporando assim um diálogo com três gerações de imagem (imagem sem matriz, reprodutível e disponível). Ganha corpo a questão da perda de identidade e credibilidade da imagem fotográfica: refletindo a partir desses aspectos, delineia-se a importância da digitalização das colagens para a discussão que empreendo sobre a construção identitária e também para a compreensão do caráter de simulacro dessas imagens. As obras discutem assim a identidade socialmente construída enquanto simulacro e, pela participação, envolvem o espectador numa atividade que possibilita sua [des]construção.
As formas de apropriação da participação do espectador na obra se efetivam de duas maneiras:
– Pela não-incorporação das intervenções efêmeras, em obras como “Auto-Retrato por Metro Quadrado” cuja superfície em plotter de impressão laminado reflete um espectro vago e distorcido do espectador nas regiões de sombra das imagens fotográficas; ou como “Especulares #7” que, exposta no Centro Universitário MariAntônia em 2004, é posicionada em contra-luz para que o espectador, iluminado, se veja refletido em fragmentos nos pequenos vazados das imagens à medida que se movimenta para contemplar a obra. Ou ainda como “Auto-Retr_Ato_Coletivo”, exposta no SESC-Pompéia em 2004 na exposição “Uma Viagem de 450 Anos”, em que a manipulação pelos participantes confere um grau de variabilidade de combinações das partes que não permite uma aparição definitiva para a obra.
– E pela incorporação das intervenções (inscrições dos participantes) que passam fisicamente a fazer parte do objeto artístico, como nas intervenções sobre as imagens e parede da instalação “Cabeça Defronte” na exposição “Arte do Novo Século” (2003) bem como nas performances participativas inauguradas na Virada Cultural SP 2006 em que, conclamados pelos meus alter-egos masculino e feminino – Agnus Valente e Zilma Barros –, os participantes promovem intervenções sobre imagens estampadas em camisetas vestidas no corpo do próprio artista. Os registros fotográficos documentam que a performance alcança momentos de esculturalidade plástica de um corpo coletivo em que artista e público se irmanam numa identidade ao mesmo tempo única e plural, enquanto as camisetas brancas incorporam os traços plurais do imaginário coletivo.
Numa proposição que privilegia o anti-trágico, as performances participativas de “Auto-Retrato Coletivo” ocorreram nas terríveis circunstâncias dos ataques do PCC nas semanas próximas tanto da Virada Cultural SP-2006 quanto da Maratona Cultural de Santos e das apresentações na Pinacoteca Benedicto Calixto, envolvendo a capital paulista e cidades litorâneas da baixada santista. Tais acontecimentos traumatizaram a população, sobre os quais o público se manifestou de forma recorrente.
Arte/Vida: o questionamento da equação identidade coletiva e criminalidade que a obra promove tornou-se um campo aberto para a reversão do trágico.

AUTO-RETRATO COLETIVO ON-LINE ©

“Auto-Retrato Coletivo On-Line” é a vertente digital da série “Auto-Retrato Coletivo”. Introduz-se aqui a interatividade na série, numa abertura que instaura a relação homem-máquina mediada por um sistema inteligente, num contexto organizado pelas interfaces interativas e potencializado pela instantaneidade.
Os aspectos ligados às NTC’s propiciam a realização de minha proposta artística enquanto arte potencial, com seus elementos e leis de permutação condicionados à ação do interator, na intersecção de repertórios de artista e espectador.
Até o momento, a série conta com três obras interativas.
“AlterEgo” (2003) é um auto-retrato interativo em que o internauta atua sobre minha imagem como avatar de si, num jogo de identidades e alteridades possibilitado pela estrutura hipermediática e pela hibridação sujeito-imagem-objeto característica da imagem interativa, como salienta Couchot. Nesse ambiente, o interator dialoga metaforicamente com os elementos sócio-psicológicos de sua identidade, encontrando na abstração icônica e nas distorções anamórficas sobre os elementos indiciais da imagem um novo meio de questionar e desconstruir sua representação simbólica.
Inaugurada na Virada Cultural SP2006, “ANDROMAQUIA On-Line” © foi exibida em CYBER-ARTE, com Regina Silveira, Carmela Gross, Julio Plaza e Agnus Valente. O título desta obra origina-se num jogo de linguagem com meu próprio nome, reconhecendo no anagrama Nardo/Andro o trânsito entre o indivíduo e o coletivo do programa artístico da série.
O interator é convidado a se expressar no campo de formulário em aberto no meu auto-retrato acéfalo, acumulando discursos. Procura-se mobilizar o interator na busca de sentidos, na expectativa de que, esgotando-se o campo permutatório das imagens, ou a disposição de articular repertórios e discursos alheios, sobrevenha-lhe o desejo de incluir-se com seu próprio repertório e discurso na cabeça coletiva em que a obra se configura.
Em “Doe seu Rosto / Give Me Your Face”, o público é convidado a fazer um auto-retrato, fotografando a parte do rosto que prefere de modo a completar o meu auto-retrato acéfalo, numa colagem digital de cunho surrealista.
A obra propõe uma abertura ao espectador tanto em nível de participação quanto de interatividade, sem distinções valorativas.
Inaugurada na Pinacoteca Benedicto Calixto, a proposta de participação foi apresentada aos visitantes com um slide-show prévio da colagem digital a ser realizada, exibindo detalhes de meu próprio rosto e de meus alter-egos Agnus Valente e Zilma Barros, aos quais agora se juntam as identidades personalizadas que os participantes doaram de seus rostos para o “Auto-Retrato Coletivo”.
Na proposição de interatividade desta obra, o interator envia imagens capturadas por webcam e celulares. A característica “presença à distância” do meio promove o compartilhamento de identidades entre o artista e o público. O encontro semiótico dessas individualidades que aspiram à coletividade se dá pela mediação da web.
Desse encontro de identidades, de público e artista mediados pela interface ou câmera digital, nasce um auto-retrato mútuo capaz de questionar estereótipos e maniqueísmos catalográficos de uma tipologia identitária. “Doe seu Rosto / Give me Your Face” prescinde de discursos verbais, ancorando-se num discurso visual.

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“Auto-Retrato Coletivo” configura-se numa obra aberta, dialógica e polifônica. Em suas modalidades participativas ou interativas, instaura uma experiência problematizadora e reflexiva em sua discussão ideológica, evitando o monólogo doutrinário ou a facilidade das verdades prontas. Nesse espírito, promove o livre encontro das idéias e dos sentidos numa perspectiva utópica.


NARDO GERMANO
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07 Março 2009
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NARDO GERMANO
Obras de Arte por : .biennale/3000...